Entrevista com a vereadora Cris Gêmeas.
No dia 06/10/2017 a
equipe editorial do Um pé aqui esteve no gabinete da vereadora Cris Gêmeas que,
gentilmente, concedeu esta entrevista. Ao longo da conversa, a vereadora fala a
respeito das responsabilidades e dos desafios de seu mandato.
1)
Diante
da atual conjectura política na câmara como a senhora define a atuação do
PCDob?
A Atuação do PCdoB tem sido imprescindível para a realização de políticas
públicas que possam realmente trazer o progresso da cidade. O que a gente
vê hoje na conjectura política na câmara
é uma falta respeito ao desejo soberano do povo, que foi seu voto na urna. Quando
ele chegou na urna e define o seu voto qual é a política que ele quer na
cidade. É preciso respeitar o desejo da maioria do povo e conduzir a política
de acordo com o que o povo espera. A participação do PCdoB vem lutando pelo
respeito à democracia.
2)
Enquanto
educadora qual é a sua opinião em relação à qualidade da educação no município?
Na verdade eu estou vereadora, sou
professora, eu tenho amor enorme na educação, fui coordenadora do departamento
de educação durante 8 anos. Sou servidora pública oriunda ainda de Nova Iguaçu,
quando eu fiz concurso foi em 1991 e assumi uma sala de aula, lá na Escola
Municipal Deoclécio, em Cosmorama. Então, desde 1991 eu completei 28 anos de
magistério na cidade. Fui professora do município e professora do estado.
Então, a educação tá no meu DNA, minha mãe era professora, então eu vivi sob o
teto de uma educadora. Seguimos o ofício, eu e minha irmã gêmea. A educação faz
parte do nosso cotidiano, desde os primórdios. Até o final de 2012, eu atuei
dentro de sala de aula literalmente. Eu acompanho a educação em Mesquita, desde
quando eu era aluna, pois sempre fui filha de escola pública. Estudei na Escola
Municipal Rotary que é hoje é Rotariano Artur Silva. Eu estudei no Colégio
Estadual João Cardoso. Eu estudei no Colégio Estadual Brasil e eu estudei na
Universidade Estadual que é a UERJ. Toda a minha vida sempre foi em uma
instituição educacional pública. Eu acredito na capacidade das escolas públicas
poderem fazer um excelente trabalho. Isto depende de uma conjuntura e do gestor
que está no município, como ele vê a educação...Eu acho que a gente precisa
investir mais na educação infantil. Aumentar o número de escolas, e a gente
precisa fortalecer cada vez mais o alicerce do ser humano que é no início de
sua vida. Por isso, princípio para mim hoje e ampliar o número de escolas de
educação infantil. É preciso garantir a qualidade de ensino, alimentação
adequada, dar qualidade de vida ao cidadão para que se possa promover a
educação.
3)
Comente
a respeito do início da sua militância política?
Desde que me entendo por
profissional na educação, a gente já havia necessidade de acompanhar a questão da
política pública. Assim como o português é fundamental para a nossa
comunicação, você não pode achar que a política pública não faz parte do nosso
cotidiano, mesmo aquele profissional bem sucedido que coloca o filho na escola
particular, tem plano de saúde, ainda ele necessita de políticas públicas. Para
se respaldar de que a violência não assole a sua família, para que o lixo de
sua casa seja retirado... Todos precisamos de políticas públicas. É preciso se
discutir a política, não adianta a gente achar que política é nociva,
cansativa, etc... A política faz parte do nosso cotidiano e precisa ser
construída no coletivo. Precisamos de pessoas de bem ingressando na política
para que a gente possa avançar enquanto sociedade.
4)
Como
você define a sua atual relação com o executivo?
Todos sabem que Cris Gêmeas não
caminhou com o prefeito Jorge Miranda, mas o princípio básico é o respeito à
democracia, ao voto geral do povo, e nós precisamos estar unidos para fazer a
cidade crescer. Não adianta, não existe cada um dentro da sua instância de
poder, o executivo, o legislativo e o judiciário, e a sociedade civil, pois nós
fazemos parte de um contexto, somos um organismo, porém cada um com a sua
responsabilidade. Agora, se nós não nos unirmos não avançamos. A cidade só irá
crescer se estivermos dispostos a nos unirmos, cada um na sua instância, mas
com um mesmo pensamento, o foco no crescimento. Hoje tenho uma boa relação com
o prefeito, consigo passar para ele as demandas das nossas experiências,
experiências no desenvolvimento de políticas públicas, consigo passar as
demandas que ouço ao percorrer diversos bairros. Porém, quando não concordo com
determinada ação realizada também tenho abertura para chegar e falar que não
concordo, inclusive de votar que não concordo. Existe uma linha de comunicação,
porém respeitando o papel de cada um, do executivo e do legislativo.
5)
Que
projetos de lei a senhora pretende apresentar?
Todos os projetos de leis que
apresentamos em votação são dialogados com a sociedade, meu mandato literalmente
falando é um mandato participativo. E como acontece isso? Agora, por exemplo,
neste encontro de líderes religiosos, solicitaram a presença do legislativo
para proposição de leis importantes que essa cidade ainda precisa implementar.
Coloquei meu mandato a disposição e vamos conversar, principalmente se tratando
da questão da intolerância religiosa, pois isto tem um viés colado a educação.
O mandato participativo tem essa linha de usar a tribuna popular. Durante a
sessão o representante pode defender o projeto. Ou seja, não é somente a
vereadora autora de uma lei que usa a tribuna para defende-la, mas também os
representantes do povo que nos ajudam a elaborá-las.
6)
O
que é possível afirmar a respeito da atuação da UJS em Mesquita?
A UJS em Mesquita tem um papel fundamental que é justamente conseguir
agregar esses jovens na construção de políticas públicas para o espaço em que
vivem. Então a UJS precisa ganhar um corpo maior, precisa ser fortalecida
através de possibilidades, porque a gente sabe que os jovens quando se reúnem
precisam ter estrutura para poder cumprir o seu papel. Então ela é fundamental
na ampliação de políticas públicas, inclusive, de fazer proposições para o
gabinete. Ela tem essa responsabilidade também. E tem uma importância enorme na
vida estudantil de alunos de diversas escolas.
7)
Qual
é a importância de ser a única mulher na câmara dos vereadores?
É um desafio nesse universo em que
eu vivo envolvida por homens e não deveria, por que nós estamos num momento
onde determinados atos machista não deveriam mais ocorrer. Todavia, a gente
simplesmente presencia em vários segmentos e instâncias da sociedade a cultura
do machismo, muitas vezes atrapalhando o processo de crescimento e evolução da
mulher. Então aqui na câmara nós enfrentamos um nível de dificuldade
legislativa, mas não estou me vitimando como mulher, pois a Cris é uma
parlamentar como todos eles. Mas, muitas vezes a dificuldade vem pelo
desrespeito pelo fato de ser mulher. Porém, preciso me apoderar da posição que
ocupo, porque se isso não acontecer continuarei sem voz, sem minhas leis
colocadas para votar.... Eu enfrento esse tipo de problemas, eu elaboro as
leis, elas são colocadas para votar e não colocam as leis para votar, não fazem
a leitura da ordem do dia das leis que coloquei para votar. Isto já é um grande
exemplo das dificuldades que a gente enfrenta quando a gente vai contra o
posicionamento da maioria. Inclusive, passei por dificuldades por ter uma
opinião contrária à da maioria, mas coloco claramente que ainda que eu seja
minoria, minha voz precisa ser respeitada.
Já fui muitas vezes repudiada pela postura que eu tive em votação e as
palavras eram palavras machistas, que são inaceitáveis no dia a dia... Imagine
em uma sessão legislativa que é transmitida ao vivo. Inclusive a postura do
presidente que é de seciar qualquer ataque parlamentar, ele não seciou estes
ataques na sessão. E nenhum parlamentar levantou para denunciar que o ocorrido
se tratava de uma arbitrariedade, isso que me deixou mais triste.
8)
Qual
é a importância da atuação das mulheres no PCDOB?
A importância da participação das
mulheres no PCdoB é fundamental, tem uma frase que é muito utilizada e eu acho
que representa muito bem isto... “que quando uma mulher entra para a política a
política muda essa mulher, mas quando muitas mulheres entram para a política
são as mulheres que mudam a política. Por que as mulheres possuem o aspecto de
sensibilidade, de cuidar, de se impor, de se apoderar. E esse empoderamento da
mulher é fundamental! O PCdoB tem investido muito em formar e capacitar essas
mulheres para que elas possam atuar em diversas áreas do partido nos ajudando a
construir uma política muito melhor.
9)
Como
a senhora lida com os ataques que vem recebendo de seus adversários?
Me incomoda profundamente, não é
possível dizer que não! Quando você está representando o direito do povo cada
um tem o direito de fazer a sua voz ecoar, nesta casa legislativa. Inclusive,
de alterar o rumo do desenvolvimento da política pública, porque quando você
vota a favor, ou, você vota contra já está alterando o curso. Então se você tem
essa capacidade de alterar você tem que ter responsabilidade e esta
responsabilidade tem de ser assumida. Então hoje quando eu tenho uma opinião,
que não é uma opinião da vereadora Cris Gêmeas, mas uma opinião que vem em
consonância com o partido PCdoB... Quando eu voto eu não faço, exclusivamente,
com o posicionamento da Cris Gêmeas, mas com o posicionamento de quem dialoga
com o partido e com a população. Porém, estes ataques têm dificultado bastante
a minha relação com os parlamentares por que é muito difícil lidar com esses
ataques e trabalhar de uma forma integrada. Porém, cansei de escutar que a
minoria não discuti, vota. Mas, a minoria pode até não interferir na decisão da
maioria, no entanto, tem de ser ouvida e respeitada.





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