Crônica Timidez.
Jornal Um pé aqui/ Coluna de crônicas / Edição 8.
Por: Thiago S Campelo.
No momento exato, é sempre ela a matar os anseios de possuir o
inconquistável. De tão cruel tal como o verme anuncia-se e cresce aos poucos,
primeiro no suor frio a escorrer pela fronte, alastrando-se rapidamente até as
mãos, e por fim culminando num amargo nó na garganta. Será a timidez um mal dos
que mal se amam? Que força é essa que nos induz a renunciarmos a relíquia do
eu, a força e o direito de expressão? Para alguns a timidez é a fuga dos
holofotes, esconderijo ideal para os que evitam cansativos julgamentos, álibi
perfeito para os que tramam uma revolução! A timidez é ingênua, elegante, às
vezes triste, mas soa bela se representada por um coral de gente vazia e
ignorante!
Inevitável é nascer tímido e
inevitável é nascer “deslocado” e ainda assim perceber-se tímido. Talvez a
timidez seja o comportamento mais natural diante do novo, todavia, há aqueles
que nasceram para o novo. Será que a eles são reservadas as fortunas do mundo?
Talvez... Mas, muitas vezes estar tímido é estar em si, falando alto calado,
arquitetando o novo.
Indesejável, refutável, a
timidez é o excesso de saliva que precede o beijo. Para alguns é sangramento
que não pode ser cauterizado. Para outros uma praga a ser vencida após inúmeras
sessões de terapia, aulas de teatro e frases ditas para o espelho. A timidez é
um lugar fora do palco, mas quem sabe também o merecido repouso para um
artista!



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